Acordava bem cedo tendo no peito um aperto de ansiedade
partir ou ficar?
ligava a tv na tentativa de criar uma cia que nao precisasse assim tanto de minha atençao, nao me satisfazia! Ligava a musica, com a ideia de desprender o espirito pra outra dimensao, era agradavel! O que faria daquele dia, como preosseguira os seguindos que se entrecortam facilmente, como admiraria a lua naquela noite; quando chegasse?
ao descolar a janela de seu trinco, tomando um pequeno cole de cafe amargo, respirei um gelo agradavel de uma manha cheia de nuvens; nublagem que denuncia que teremos uma tarde fortemente enrolarada, ha de queimar minha pele.
O cheio de terra e de planta que paira, ou cheiro de formiga, como diz aquela moça que morava ao lado da minha antiga casa, invadia o peito e lembrava do sitio da tia mais velha da familia. A verdade, eu confesso, sempre tive vontade de acordar no mato, passar o dia na cidade e dormir na praia!
Nao cia no quarto, nao sala, sequer ha ideia de sala por aqui. A montanha me ensina outra forma de respirar, mesmo me poluindo com esse tabaco de casa, mesmo escutanto o teclar das palavras que desenho agora, ha um certo prazer na solidao, que nao dispenso, mas ha um certo vazio quase insuportavel e insdicritivel na cia.
Quando partirei de novo, amanheço pensando. Quando estarei em casa de novo? Quando retornarei a minha terra? Quandoa minha terra partira do peito deixando espaco e coracao pras outras fazerem de minha gente diferente? Qaundo farei novos amores e novas comidas? Quando falarei bem outra lingua que nao a minha? Quando dançarei nua no corredor de um rio sem paredes? Quando, cansada, recuarei a todas as pelavras e mergulharei num silencio profundo e cheio de historias?
Reclino vagarosamente as palpebras sobre essas questoes sem futuro. Minha inquietude se resume numa ansiedade imensa de encontrar outro lar, outra casa, novos planos e trabalhos, novo lapidar e novo amanhecer sem destino. Parto porque nao sou de lugar nenhum, nasci de mestiços d' alma e nela me afundo e me transformo.
Hoje pairo na lembranca de que no meio deles sou outro, e sozinha, sou esse imenso pensar do mundo!
Que essa manha se transforme nos grandes sonhos que tece de madrugada, e que aquele amor da noite passada vire flor pra ser comida com os dentes e engolida com alma. Bom dia quem me le, boa cia!
Gabi
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